Envelhecimento e Inteligência Artificial

José Carlos Campos Velho

Sabe-se que os idosos são hoje grandes consumidores de conteúdos digitais. Para o bem e para o mal. Os smartphones abriram uma porta para um percentual significativo de pessoas idosas – que tenham condições cognitivas para manejá-los – de adentrar no mundo digital de forma incisiva.

Talvez o WhatsApp seja o aplicativo mais utilizado pelas pessoas idosas – com suas consequências positivas e eventualmente negativas – sabemos que o contato e a familiaridade com novas tecnologias sempre foi um impulso para aquisições de novas habilidades cognitivas. A contrapartida são o discernimento por vezes falho que as pessoas idosas têm em relação aos conteúdos que são compartilhados e frequentemente viralizam.

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A hesitação vacinal é um exemplo de informação deletéria que circula nas redes sociais e o WhatsApp, por excelência, é fonte de informações de qualidade questionável e frequentemente perniciosa. Uma onda de mensagens compartilhadas por algumas centenas de grupo são capazes de ter um impacto da aderência ao calendário vacinal da pessoa idosa com possíveis consequências para sua saúde.

Mas os idosos vão além: tem o seu perfil no Facebook, aventuram-se no Instagram e veem vídeos no YouTube. E conhecemos o algoritmo das redes sociais... Se procurar por informações de boa qualidade serás agraciado por notícias que podem ajudá-lo a vivenciar seus dias de maneira mais criativa e quem sabe ganhar qualidade de vida: – informação de qualidade é vital!

Porém se o seu algoritmo despencar para o lixo existente nas redes sociais, é possível que ele somente sirva para alarmar, desinformar e influenciá-lo na tomada de decisões equivocadas ou mesmo errôneas. Tristemente perfis com milhões de seguidores – o que às vezes é interpretado como positivo – é exatamente aquele que mais contribui para que notícias pouco baseadas em fatos reais ou em ciência de boa qualidade caia nos ouvidos das pessoas. E não querendo que esta afirmação pareça uma manifestação de etarismo, as pessoas idosas frequentemente são presas fáceis desse tipo de disseminação de ideias. Obviamente isso não se restringe aos idosos. Mas, cautela! Os idosos são as maiores vítimas de golpes e crimes digitais.

Agora estamos diante de uma nova fronteira virtual: a inteligência artificial já está na ordem do dia. Entramos na discussão sobre o impacto que a inteligência artificial terá nas nossas vidas. E vamos além disso: a inteligência artificial já impregna o nosso cotidiano numa proporção muito maior do que imaginamos. E a pergunta que se coloca: ela trará benefícios ou prejuízo à vida das pessoas? Sejamos equilibrados: provavelmente nenhum nem outro. Tudo dependerá da utilização que fizermos dessa tecnologia.

A medicina certamente sofrerá uma um forte impacto. A inteligência artificial é capaz de analisar sintomas, propor diagnósticos, sugerir tratamentos. Na ausência da figura do médico. Isso é uma sinuca de bico. As informações fornecidas pela IA podem fazer sentido, mas se existe algo no qual a medicina se fundamenta é no ato médico – e diagnosticar e tratar são atos médicos por excelência. A medicina não é constituída somente por um banco de dados na tela de um computador. São pessoas que no encontro médico procuram uma saída para seus males e a conversa, o toque, o exame clínico, a reflexão baseada na individualidade de cada um é essencial para que os diagnósticos sejam feitos com acurácia e tratamentos adequados sejam propostos. Certamente não há movimento que vá frear a entrada da inteligência artificial em nossas vidas. Mas que ela entre pela porta da frente. E que seus benefícios possam suplantar de longe eventuais prejuízos. Resta a pergunta: se o médico errou é sua responsabilidade e ela está delineada no Código de Ética Médica. Mas se a inteligência artificial errou? De quem é a responsabilidade?

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